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Governo

16/09/2007 21:06

Ialorixá francesa lança terça-feira livro sobre segredos do candomblé

Awô – o Mistério dos Orixás livro da ialorixá francesa com doutorado na Sorbonne Gisèle Omindarewá Cossard será lançado terça-feira (27), às 18h, na Galeria Solar Ferrão, no Pelourinho, com o apoio cultural do Ipac. Em Awô, Cossard traz descrições didáticas dos costumes e espiritualidade das antigas crenças dos povos africanos, repleta de rituais e simbologias, desvendando os mistérios da religião dos orixás e como ela se firmou no Brasil”.

Para aqueles que não são iniciados no candomblé ou na umbanda, a publicação  pode ser uma aula de culto afro. Mas, como a própria autora descreve no livro, “somente quem passou pelos rituais, pelo sacrifício, pela iniciação terá força e eficiência para se tornar um verdadeiro sacerdote. Sem isso, estará apenas representando”.

O trabalho reúne 210 páginas com informações sobre os deuses nagôs, diferentes maneiras de cultuá-los, rituais de iniciação à religião nos ritos ketu, jeje e banto, comidas e animais oferecidos em cerimônias. A ialorixá descreve, ainda, o que acontece, de maneira geral, no período de recolhimento daquele que está em processo de iniciação para se tornar um filho-de-santo.

Gisèle Cossard, que foi educada longe das inclinações religiosas politeístas negras, apresenta relatos de muitas interpretações do culto afro, que mistura mitologia, fé e rituais de devoção. A francesa que tem mais de 40 anos de candomblé mostra como alguns ritos manifestam suas religiosidades, diferente do que muitas pessoas, mesmo freqüentadoras conhecem.

Em 1959, depois da nomeação do marido como conselheiro da Embaixada da França no Rio de Janeiro, Gisèle Cossard mudou-se para o Brasil e teve a chance de saber um pouco mais de um povo que tinha muita influência da África em seus costumes. Apesar de ter morado em Camarões e no Saara, foi aqui que a francesa viu a oportunidade de realizar um antigo sonho: conhecer a cultura africana.

Com um grupo de bailarinos brasileiros, Gisèle organizava recepções do serviço cultural da embaixada e teve acesso a morros e subúrbios fluminenses onde tentou reencontrar a África. “Durante uma dessas fugas, um acontecimento extraordinário transformaria a minha vida. Em uma festa de candomblé na casa de Joãozinho da Goméia, em Caxias, caí no chão sem domínio de mim mesma. Nesse momento começou minha vida com os orixás”, contou a francesa no livro.

Pequena biografia

Omindarewá foi a digina, espécie de título que identifica o orixá do filho-de-santo, recebida pela francesa. Joãozinho da Goméia, do rito de Angola (origem banto), foi o babalorixá ou tata responsável pela iniciação dessa filha de Iemanjá. Em 1973, depois de ter passado dez anos na Europa, Gisèle voltou ao Rio de Janeiro como conselheira pedagógica do Serviço Cultural francês. Já no Brasil, conheceu, através de Pierre Verger, pai Balbino Daniel de Paula, de raiz ketu, que a adotou como filha, se tornando seu segundo babalorixá, depois do falecimento do primeiro.

No início dos anos 60, Gisèle havia retornado à França. Pouco tempo depois, por motivos que não tangiam a religião, terminou o casamento, começou a trabalhar para criar os filhos e viveu um período difícil de readaptação, sobretudo tendo que superar as saudades do período no Brasil. Decidiu, então, ocupar os momentos de folga estudando e escrevendo sobre o Candomblé da Goméia, trabalho que virou sua tese de doutorado.

Foi a partir dessas pesquisas que teve origem o livro que Omindarewá lança agora na Bahia. A autora vem a Salvador especialmente para apresentar seu trabalho sobre esse assunto polêmico, sagrado e bastante conhecido na Bahia, berço de muitos candomblés do Brasil.

Antes que alguns conservadores questionem a ialorixá que tornou público parte de rituais secretos, ela escreve: “Espero que, pela leitura desse livro, todos possam entender um pouco melhor o que é o verdadeiro candomblé e dar o justo valor aos ritos dessa tradição que é milenar, mas não deixa de responder às dúvidas e ansiedades de nossa época”.

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